quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

The Cross Retomando seu legado

Eduardo Slayer, mentor do The Cross
Formada em 1990 e idealizada por Eduardo “Slayer” Mota, a The Cross, após um hiato de quase 20 anos retoma as atividades. Um dos precursores no Doom Metal no Brasil, a The Cross lançou apenas duas demos em 1992 e 1993, antes de entrar em recesso. Mas foi o suficiente para que o seu legado se mantivesse. Em 2015 a banda retoma suas atividades e marca o seu retorno com o lançamento do EP “Flames Through Priests”. Para 2016 a The Cross prepara, enfim, o lançamento do seu debut álbum.

HMAN: Mesmo com mais de 25 anos de existência, e um hiato que durou 18 anos, a The Cross ao retomar as atividades, mostrou sua força. Quando você decidiu que era hora de dar um tempo com as atividades da banda? E como soube que era a hora de retomar o legado da The Cross?
Eduardo Slayer: Em primeiro lugar obrigado, brother of metal. Bem, em 1998 resolvi parar com a banda devido à instabilidade de sua formação, um velho problema com o The Cross. Em 2014 eu estava amadurecendo um projeto de doom/heavy chamado Black Cross, mas após muitas conversas com amigos e fãs eu vi que era hora de voltar com The Cross. Desde dezembro de 2014 estamos na ativa.

HMAN: Mesmo lançando apenas duas demos, a demo ensaio de 92 e a “The Fall” em 93, a The Cross conseguiu uma grande repercussão na época. Há que se deve isso? O que a The Cross causou na cena com esses lançamentos? 
Eduardo: As duas demo-tapes eram muito diferentes do que rolava na cena na época... Lembre que somos contemporâneos do My Dying e do Anathema, que começaram no mesmo ano que a gente, e lembre do impacto que eles tiveram na cena internacional. Deve por isso que o nosso som repercutiu tanto. Para você ter uma ideia do impacto da “The Fall”, chegamos a negociar, entre 1993 e 1995, cinco mil cópias dessa demo. Acho que o fato da primeira banda de doom do Brasil sair justamente de Salvador, terra da “bunda music”, também chamou atenção, apesar da Bahia, desde sempre, produzir de bandas de metal extremo de qualidade, a exemplo do Mystifier, Headhunter D.C. e Malefactor, entre tantas outras.

HMAN: Em 2015, a banda retomou suas atividades e de cara lançou um EP “Flames Through Priests”, contando com faixas inéditas e a “The Fall” remasterizada como bônus. Como tem sido a repercussão desse material? E o que ele representa para a banda, já que é o primeiro registro depois de quase 20 anos?
Eduardo: Depois de quatro meses ensaiando e compondo material resolvemos gravar esse EP, que está sendo bem aceito pela crítica especializada e também pelos nossos fãs. Ele representa um novo começo e um alicerce para o nosso próximo trabalho.

HMAN: A banda entrou em hiato em 1998, nas vésperas do lançamento do primeiro disco, que iria se chamar “The Plague of the Lost River”. Esse disco já estava pronto na época? Tem chance desse material ser aproveitado?
Eduardo: Sim, estava. Tocamos o disco na íntegra no Palco do Rock de 1997, um show registrado em fita VHS com duas câmeras, inclusive. E temos planos para retrabalhar esse material, sim. No primeiro semestre de 2017 vamos gravar um álbum com esse material de 1992-1995. Já temos até o nome para essa coletânea: “Doomed from the Start: the Early Years”. O encarte virá com uma biografia extensa da banda além de fotos raras e cartazes, entrevistas com zines e outros materiais de arquivo da banda.

HMAN: 2016 promete ser um ano de muito trabalho para a The Cross, visto que vocês planejam o lançamento do primeiro disco de inéditas. A quantas anda o processo de produção desse material? O que podem nos adiantar?
Eduardo: Atualmente estamos ensaiando duro para tocar no Palco do Rock, a primeira apresentação do The Cross em Salvador em 20 anos. Lá para o meio de Abril entraremos em estúdio para gravar oito inéditas mais uma versão de “Verklärte Nacht” (“Noite Transfigurada”) de Arnold Schönberg, criador do dodecafonismo. É uma composição majestosa e sombria que servirá de introdução do disco. O que posso adiantar que será um álbum doentio, melancólico e tétrico, o doom metal em sua essência.

HMAN: A The Cross foi um dos precursores do Doom Metal no Brasil, na época do lançamento das demos era tudo novo. Agora o estilo evolui consideravelmente, como você avalia essa evolução, como você vê este atual momento do Doom Metal nacional?
Eduardo: Para mim, a consolidação da União Doom Metal Brasil e as coletâneas “Doom Serenades” atestam a força da cena doom brasileira da atualidade. Têm muitas bandas tocado esse estilo, isso é bom. O problema é que tem muita gente que diz que faz doom, mas não faz. Também precisamos profissionalizar um pouco mais o cenário, mas é bom ver que essa geração mais nova se interessa pelo doom.



HMAN: Além do Brasil as demos lançadas pela banda no inicio dos anos noventa repercutiram de forma positiva na Europa, Estados Unidos e Ásia. Vocês já receberam convite para tour nesses lugares? Existe planos para isso?
Eduardo: Em 1994 fomos convidados a tocar na França com Astral Rising, Misanthrope e Nightfall, mas naquela época era muito caro viajar para o exterior. Em 2015 fomos convidados a tocar no Malta Doom desse ano pelo próprio Albert Bell, que é de fã de longa data do The Cross. Decidimos adiar para o próximo ano, já que até o final de 2017 teremos três discos gravados. De qualquer sorte o Brasil está bem representado esse ano no Malta Doom: o Mythological Cold Towers está no lineup.

HMAN: No inicio dos anos noventa as dificuldades em se ter uma banda eram muitas, estrutura para eventos, gravação e ensaios nem sempre eram as desejáveis. Você vê alguma mudança? Tem mais estrutura para as bandas hoje? Tá mais fácil?
Eduardo: Ainda acho caro gravar um disco no Brasil. Gravar um álbum de qualidade aqui não sai por menos de R$ 5 mil. Comparando aquela época com agora, tem mais publico e mais produtores que sabem gravar rock pesado, mas as coisas continuam difíceis.

HMAN: Além do lançamento do debut, quais os planos para a The Cross em 2016? Aproveito e deixo um espaço para as suas considerações finais!
Eduardo: Até o meio de 2016 lançaremos o nosso disco homônimo; ele vai ser precedido de um single virtual da música “The Skull & The Cross”. Depois disso vamos gravar um clipe e faremos shows pelo Brasil – bandas como a Amen Corner (velhos conhecidos – fizemos um show com eles no Rio em 1994) e Pantâculo Místico já demonstraram interesse em tocar com a gente. Nos primeiros meses de 2017 lançaremos o disco de regravações e no segundo semestre o nosso segundo disco de inéditas.
Aproveito espaço para agradecer o apoio ao The Cross – isso é muito importante para nós! Agradecemos também aos fãs fieis da banda, nunca vamos decepcionar vocês. Aguardem o CD novo e continuem acreditando no doom metal sempre.



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por Artur Azeredo

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